marcio tristão / blog
De Shakespeare à Cameron ou de Cameron à Shakespeare
Esse fim de semana consegui ver Avatar. Um pouco tarde, concordo. Mas, foi o que consegui. Então, vamos ao filme e outras coisas que giram a sua volta! Mas antes, preciso me vangloriar de ter chegado ao fim do filme sem passar mal. Vou explicar: um dos meus maiores pavores – talvez por isso tenha retardado tanto a ida ao cinema – era que meus olhos e cérebro não conseguisem se adaptar facilmentea ao 3D. Isso mesmo, o que é simples para uns é um desafio para mim. Por exemplo: toda vez que jogo xbox, principalmente no modo primeira pessoa, fico com uma dor de cabeça monstruosa que piora rapida e terrivelmente para uma tontura, vira uma náusea horrivel e, inevitavelmente, culmina em vômito. É feio assim mesmo, uma tristeza. E foi com esse histórico e com a quase certeza de que sairia no meio do filme que, entrei no cinema. Felizmente superei – com louvor – o desafio ocular-cerebral do 3D. Me sinto um ser evoluído mesmo tendo suado nos pés e nas mãos em alguns momentos e precisado pedalar, tal qual robinho, para driblar uma dorzinha de cabeça que me ameaçou vez ou outra. Pronto! Agora, posso até pensar em voltar a jogar meu xbox sem terminar agarrado ao vaso sanitário. Mas estamos aqui para falar do filme e do 3D, claro. Vamos lá: antes mesmo de começar o filme – ainda nos trailers-educativos com os simpáticos e históricos briquedinhos de Toy Story, usados brilhantemente para explicar o que é o 3D – já dá para sentir que a experiência é outra, diferente. Melhor? Não sei ainda. Acredito que teremos uma melhoria de fato a medida em que os diretores se acostumarem a ela e colocarem suas mentes para funcionar em 3D também (por mais estranho que isso pareça). Ouso dizer que alguns enquadramentos de Avatar só existiram para valorizar o 3D. A história – por alguns minutos – passou a ser mera coadjuvante da tecnologia. O que na minha opinião é um erro, uma emplogação aceitável. O filme também mostra quase que explicitamente nosso inegável desejo por interfaces e máquinas comandadas por gestos. Isso sem falar no povo Nav’i que se conecta à natureza de seu planeta (uma espécie de sistema) com seu rabo USB e consegue comendar bichos e outras coisas com a mente. Isso demonstra nitidamente a força do movimento NUI (Natural User Interface) que prega a interação homem-máquinas do jeito mais natural possível, como se conversássemos com um guia que nos pergunta coisas, dá conselhos e mostra oportunidades. Bom, poderíamos ficar aqui e falar um milhão de coisas sobre o filme e as referências que são apresentadas nele. Mas, prefiro esperar. Vamos em frente.
Mcbeth
No mesmo fim de semana assisti à peça Macbeth, de William Shakespeare que, curiosamente, estava tentando ver há mais ou menos o mesmo tempo que Avatar. Gostei muito. Também foi uma ótima diversão. E foi justamente no teatro que duas coisas completamente aleatórias me chamaram a atenção e me fizeram escrever mais do que os habituais 140 caracteres: meu lugar na primeira fila – consequencia indireta de uma deficiência do teatro Tom Jobim, que fica dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que não trabalha com lugares marcados e o fato de que no Tom Jobim, para esta peça, palco e platéia ficam no mesmo nível.
Esses dois fatores (junto com a qualidade da história/atores, claro) me transportaram para dentro da peça ou fizeram com que a peça me envolvesse. Ainda não sei qual o mais correto ou se tem diferença. Mas, fato é que a movimentação dos atores que, hora passavam a poucos centímetros de mim, ora subiam nas mesas e em outros momentos estavam falando para a platéia diametralmente oposta. Isso também é importante: o palco era central e retangular com platéias nas suas duas maiores laterais. Essa disposição deu a mim e meus amigos de primeira fila algo que chamarei aqui de N3D (Natural 3 Dimension) que, nada mais é do que permitir que o público use as habilidades naturais do olho para consumir uma história.
O que senti no teatro não é novo. Várias são as experiência teatrais que buscam o envolvimento da platéia e mudanças na experiência. Inclusive, o jornalista, Julio Preuss, com quem tenho o prazer de trabalhar lembrou que o teatro La Scala, de Milão já teve, em algum momento de sua história, a área do palco maior do que a da platéia. Todo esse espaço era usado para que as cenas acontecessem em planos diferentes. Achei isso fantástico! E, de certa forma, bem parecido com avatar em 3D.
Vamos voltar rapidamente ao cinema para falar de um ponto importante da experiência: os óculos 3D. Que porcaria aquilo! Ainda mais se vc já usa óculos, como eu. Os óculos, por serem exógenos me lembravam constantemente de que eu estava no cimena, de tinha que devolvê-los, de que o que eu estava vendo era produzido artificialmente, etc, etc. Muitos acharão que isso é uma besteira. Mas, fez muita diferença no nível de envolvimento que consegui atingir. Já mergulhei muito mais em vários filmes 2D. Então, levanto as questões: quão ligada ao teatro está a experiência produzida pelo 3D? Conseguirá o cinema – do jeito que conhecemos hoje – atingir um novo patamar de imersão? O 3D será uma caminho para mudar a narrativa do cinema? Conto com sua ajuda. Comente.
3D em casa
E já que ainda precisamos amadurecer esses e outros pontos que, com certeza irão surgir, vamos ao próximo: breve teremos televisores, vídeo games, celulares, tablets e outros gadgets com a tecnologia 3D. Na verdade, isso tudo acontecerá muito mais rápido do que vc imaginou agora. E se juntarmos a isso a capacidade de armazenar e oferecer diferentes pontos de vista de uma história ou de um personagem? O que o jogador x estava vendo no momento do lançamento? O que o presidente estáva vendo durante seu discurso? Agora estamos realmente falando de uma revolução na maneira de apresentar e consumir as diversas tramas de uma novela, de um jogo de futebol, dos games e de qualquer fato relevante. Se é que ainda haverá distinção entre essas atividades. Enfim, espero que meus sentidos todos evoluam rapidamente para que eu não vomite simplesmente vendo TV
Vc viu?
Um filme, uma série. Duas pessoas, opiniões quase sempre diferentes. Essa é a idéia blog vcviu? Gostei da proposta. Só faltou estruturar melhor a participação dos usuários.
Um Crime de Mestre
Me dou a liberdade de fugir um pouco da linha editorial deste blog para recomendar um filme que, no mínimo, é uma boa diversão: Um Crime de Mestre ( Fracture).
Estrelado pelo ator britânico, Anthony Hopkins, o filme conta a história de um executivo (Hopkins) que após descobrir-se traído pela mulher comete um crime e vai a julgamento. Aí entra o promotor público, personagem vivido pelo canadense Ryan Gosling.
A história se desenrola a medida que o promotor tenta desvendar o crime. Sem mais detalhes para não estragar a recomendação, o filme é um prato cheio para os fãs de histórias policiais. Depois deixe o seu comentário aqui dizendo o que achou.
